Seus posts antigos estão sendo lidos ou completamente ignorados?

by daniduc on abril 4, 2011

O problema da navegação em blogs

A estrutura de um website é horizontal enquanto que a de um blog é vertical.

Isso quer dizer que um website normalmente tem um número limitado de páginas, organizadas conforme uma certa hierarquia. Isso permite mais facilmente ter um menu de navegação que age como “índice” do site de onde todo o conteúdo é acessado.

Em um blog, cada artigo é uma nova página, que substitui a anterior como “a mais recente” e indo para o topo, criando uma “pilha” de páginas que cresce infinita e constantemente.

Isso cria um problema de navegação. Conteúdo antigo não é fácil de acessar e se perde muito rapidamente.

Mesmo depois que o Google transformou cada uma de suas páginas/artigos em uma “home page”, é difícil em um blog sair do artigo em que se caiu para um próximo.

E às vezes, seu melhor conteúdo está enterrado em uma pilha gigante de páginas passadas.

Esse problema tem ocupado os profissionais de publicação na web. A primeira tentativa, mais óbvia é criar um índice ou menu de “arquivo” do blog, geralmente baseado em categorias ou datas.

Será que elas funcionam? Será que não há tecnologia melhor?

Navegação por data não funciona

O menu de arquivo por data é inútil. Surgiu quando os blogs eram “diarinhos virtuais”, em sua origem. Em um “querido diário” até que faz sentido arquivar por data. Você segue a evolução/registro de sua vida, com os arquivos se empilhando como agendas, daquelas de adolescentes, cheia de anotações do que eu fiz hoje.

Blogs não são mais assim. Blogs são plataformas de publicação web, muito mais próximas do que eram as revistas no século passado do que de diários. Se você está publicando artigos sobre um assunto e não sobre o seu cotidiano, um artigo sobre os melhores pubs de Amsterdam é tão relevante quando as top 5 atrações de Amsterdam, sendo que um foi escrito em 2010 e outro em 2008. A data é irrelevante — os dois artigos podem ser igualmente importantes pra quem está planejando uma viagem em 2011, e não faz sentido o cara procurar por um nos arquivos de 2008 e outro nos de 2010.

Ninguém vai entrar no seu blog procurando, por exemplo, planejar uma viagem pra Amsterdam e pensar “hm, o que será que o Daniel publicou em janeiro de 2009?”

Se você tem um blog de conteúdo geral, nos moldes de revista, esqueça a navegação por data. Ela é completamente inútil.

Navegação por categoria também não funciona

A navegação por categoria também é inútil.

Essa afirmação é um pouco mais controversa, e muita gente disputa o que acabei de dizer. Eu acredito que categorias servem mais pro blogueiro organizar seu conteúdo do que pro leitor navegar ou encontrar conteúdo.

Existem dois problemas pela navegação por categoria como critério. O primeiro: categorias são subjetivas. Um artigo sobre “7 golpes comuns em cima de turistas” é “viagem”, “turismo”, “planejamento” ou “segurança”? É muito fácil o leitor se perder e procurar algo em lugar enquanto o blogueiro colocou em outro.

O segundo: mesmo que as categorias sejam completamente transparentes e óbvias, elas ainda crescem infinitamente. Nesse ponto, não são muito diferentes da página principal do blog. Os melhores artigos de uma categoria ainda serão empurrados pra página 17 do arquivo, e praticamente ninguém vai sequer pra página dois.

Um problema menor, ainda associado a “categorias crescem infinitamente”, é que categorias são limitantes. Se você quiser falar de um assunto novo, irá criar uma categoria nova, e uma grande lista de categorias é confusa e pouco lida.

Em resumo, organizar por categorias é tentar colocar a estrutura hierárquica horizontal na na estrutura de fluxo vertical de um blog. Não irá funcionar para propósitos de navegação.

Qual a solução para o problema?

Não há uma solução pronta, óbvia e definitiva.

Eu adotei três métodos para melhorar a navegação em meu blog e manter os melhores artigos sempre visíveis: interlinks, landing pages e destaque lateral.

Interlinks

1. Automáticos

É moda entre os blogs hoje o “leia mais’, ou “poderá gostar também de”, que são links colocados automaticamente ao fim de cada artigo.

Funciona em certa medida e eu uso também. O melhor dos plugins pra esse fim é o LinkWithin. Ele gera um link com uma imagem, o que tem muito mais apelo (eu, particularmente, preferi mudar o texto padrão do plugin para “veja mais artigos legais”).

2. Manuais

Mas esses links automáticos são imperfeitos. O que é realmente eficiente é você mesmo colocar links pro seu conteúdo. Não seja moderado: linke abundantemente pros outros artigos seus que têm relevância.

Esse tipo de link funciona melhor porque é preciso e não decidido por um computador. Quando cito o Vondelpark, eu coloco link pro artigo exato sobre o Vondelpark. Isso acaba gerando um “efeito wikipedia“: uma coisa leva à outra e, quando menos você percebeu, passou horas lendo.

Ao longo do tempo, você cria uma rede de interlinks que é bastante eficiente pra jogar o leitor de um artigo pro outro dentro de seu blog, e o ajuda a achar com alguma precisão o que lhe interessa, pois se ele está num artigo, terá links pros artigos relacionados.

Isso só funciona, é claro, se você fizer seu trabalho direito: escreva conteúdo que seja interessante de ler, e coloque links de maneira precisa. Pense no que está fazendo — o tempo gasto planejando compensará no longo prazo.

Esse método também ajuda com o SEO (Search Engine Optimization — Otimização para Mecanismos de Busca). E as palavras usadas como “anchor text” (o texto que forma o link), viram palavras chaves associadas ao artigo que está recebendo o link.

Landing Pages

São páginas feitas para receber um fluxo alto de visitantes e redistribuí-los pelo conteúdo do blog. Funcionam como páginas-índices sobre determinados assuntos e distribuem o fluxo de visitantes do seu blog.

Por exemplo, eu tenho a página sobre “dicas de Amsterdam“. Lá estão listados os artigos que são relevantes para quem está planejando uma viagem de turismo para Amsterdam. É uma página com alto número de visualizações e com um baixo bounce rate (taxa de rejeição). O conteúdo não está lá propriamente, mas ela é um índice pro conteúdo.

Você pode ir fazendo novas landing pages pra assuntos específicos, e nelas listando seus melhores artigos daquele assunto. Eu fiz uma landing page para os artigos escritos sobre Berlim, por exemplo.

Na Landing Page não apenas liste os artigos, mas escreva um texto mesmo. Converse com o leitor e lhe diga do que você está falando e o que ele encontrará em cada link. Pode ser em tópicos, e o texto deve ser curto, mas não deve ser apenas uma lista seca.

Destaque lateral

Em vez de atulhar sua barra lateral com índices de arquivos por data que nunca serão lidos (janeiro 2007, fevereiro 2007, março 200…zzz…zz…), use o espaço para dar destaque aos melhores artigos e às Landing Pages. Dessa forma, fica fácil o leitor descobrir o que ele quer.

Para escolher que landing pages e quais artigos destacar na barra lateral, imagine que perguntas um leitor tem ao chegar em seu blog. Ele certamente está atrás de alguma coisa. O quê? Responda a essas perguntas na barra lateral (em vez de listar infinitos arquivos).

Nem todo artigo terá destaque ou será indexado

É lógico que, se existem seus melhores artigos, eles são melhores do que outros artigos. Esses “outros” artigos acabam não recebendo links internos, nas landing pages ou barra lateral.

Isso é normal! Nem tente indexar e linkar e destacar todo artigo seu. O único índice completo de seu blog deve ser o Google.

Mas nunca confunda “nem todo artigo recebe link interno” com “nem todo artigo tem link interno”. Todo artigo seu deve ter links internos!

Os seus artigos “menos cotados” não recebem muitos links, mas ainda assim podem ser a porta de entrada do seu blog (de visitantes vindos do Google). E, deles, deve ser fácil acessar o melhor conteúdo do seu blog.

Funciona? Teste!

O que falei aqui pode não funcionar pra todo mundo. O que procurei foi apenas definir o problema e dar algumas sugestões de soluções possíveis.

Por exemplo, a Carla acredita que em um blog de culinária a navegação por categorias tem sentido (sendo as categorias os tipos de pratos — bolo, tortas salgadas etc).

O que você deve fazer é pensar no problema e questionar as soluções padrão de arquivo.

Paulo abril 4, 2011 às 12:33 pm

Ducs,

Mandou bem mais uma vez. Muita coisa para refletir e melhorar o blog.

Abs,

Paulo – Quatro Cantos do Mundo

daniduc abril 4, 2011 às 10:47 pm

Valeu Paulo, esse é o espírito: não dizer o que é certo ou errado, mas questionar sempre!

Abração

Laura Prospero abril 4, 2011 às 1:41 pm

Ótimo artigo, Daniel. Sempre ótimas dicas, obrigada 😉

daniduc abril 4, 2011 às 10:47 pm

OI Laura, graag gedaan! bjs

Amanda e Paulo abril 5, 2011 às 7:57 am

Oi Daniel!!

Dicas muito boas mesmo!! Já vou pensar como podemos aplica-las no nosso blog!

Amanda e Paulo
Extern360

daniduc abril 6, 2011 às 12:08 pm

Fala Amanda, fala Paulo

Fico feliz por ter ajudado vocês a refletir sobre esse problema!

Obrigado pela companhia

Abraço

Adilson abril 5, 2011 às 11:10 pm

Suas explicações estão sendo válidas. Gosto muito do seu modo simples de ver os problemas e a objetividade de criar as respostas.
Meu amigo meus parabéns …

daniduc abril 6, 2011 às 12:11 pm

Valeu Adílson! Vamos nessa, tem muita coisa legal pra gente ir discutindo juntos! Blogging é apaixonante.

Abração!

Carolina Moreno junho 8, 2012 às 10:06 pm

Olá Daniel, tudo bem?
Seu blog é excelente, estou adorando todas as suas dicas. Tenho um blog de viagens de mochilão e estou buscando informações sobre como torná-lo um negócio, exatamente o assunto que você trata aqui. Muito obrigada por tudo que você compartilha aqui no blog!
Vou participar do Eibtur, espero ter a oportunidade de conversar com você por lá!
abs,
Carol

daniduc julho 22, 2012 às 9:17 pm

OI Carolina, muito legal ter a sua companhia! Você curtiu o Eibtur? Eu achei sensacional! Aprendi bastante coisa por lá! Um abraço

Carol Moreno julho 23, 2012 às 9:21 pm

Oi Daniel,
Curti muito, adorei o conteúdo das discussões! Foi super bacana, e acrescentou muito!
Valeu!
bj,
Carol

Melissa novembro 10, 2012 às 7:51 pm

quando um blog de viagens nao organiza por destino ou categoria eu desisto de lê-lo, fica tudo desorganizado, pra mim, na minha opiniao e eu nao acho o que quero. Aconteceu com alguns blogs que eu larguei de mao quando fui pra europa. Fiquei procurando Italia, Munique.. e nao achava… queria so conteúdo sobre isso pra me ajudar. Inclusive alguns que participam da RBBV e que sao antigos. mas eu nao achava nada,m achei bagunçado. É minha opiniao de leitora! Raramente estou interessada nos mais lidos, mas acho importante que eles estajam ali do lado, pois, após achar o que qprecisava e gostar, vou começar a assinar o blog e ler o que tem ali em destaque!

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